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		<title>Toca Da Montanha</title>
		<link>http://thiagoserra.blog.terra.com.br</link>
		<description>Relacionado a viagens e expedi&#231;&#245;es pelo mundo a fora, seja de motocicleta, de carro, de bicicleta ou a p&#233;.</description>
		<language>pt-BR</language>
		<docs>http://backend.userland.com/rss092</docs>
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			<title>Vig&#233;simo nono e ultimo dia...</title>
			<description>O dia amanheceu muito nublado, mas a esperan&#231;a &#233; a &#250;ltima que morre. Acordamos as 5:15 da manh&#227;, pois se fossemos direto para casa, ter&#237;amos 680 km de estrada para rodar. Caf&#233; da manh&#227; abundante, comemos mais do que o poss&#237;vel para ag&#252;entarmos o batente, arrumamos as bagagens, carregamos as motos e... surpresa, minha Falcon estava com o pneu traseiro furado... que droga! Logo hoje que acordamos bem cedo para ganharmos tempo... procura borracheiro daqui, procura borracheiro dali... estavam todos dormindo, tivemos que esperar at&#233; as 7:30. Antes tiv&#233;ssemos dormido at&#233; as 7, mas tudo bem, faz parte. Eu n&#227;o estava a fim de arrumar o pneu, queria sossego. Depois do problema resolvido, estrada... foi s&#243; passar a divisa dos estados que&#160;brilhou uma luz no fim do t&#250;nel, o sol finalmente apareceu. Enfim pudemos afrouxar as jaquetas, tirar as luvas e abrir o respiro do capacete. Eis que no meio da viagem senti uma ard&#234;ncia violenta no abd&#244;men, droga, certeza que uma abelha me picou... o pior de tudo &#233; que, geralmente, picadas de abelha me causam a morte. Sou extremamente al&#233;rgico a picada de abelha, mas tive sorte, foi uma s&#243; picada no tronco, o problema maior ocorre quando tomo picada nas extremidades. Posso sentir o veneno fluir no corpo, logo fico empipocado, como se tivesse levado centenas de picadas, a respira&#231;&#227;o fica dif&#237;cil... &#233; o chamado choque anafil&#225;tico, da &#250;ltima vez tive que ficar 4 horas no hospital tomando soro na veia. Que ironia, logo eu que sou inquieto e gosto de andar por a&#237;... &#233; como um aficionado por leitura ser al&#233;rgico &#224; poeira dos livros... Ao meio-dia est&#225;vamos em Bauru, minha id&#233;ia era seguir at&#233; a rodovia Castelo Branco para encontrar um Graal para comer, mas por sorte tinha um em Bauru. Foi um rod&#237;zio de carne e tanto, at&#233; tentei dar uma cochilada depois do almo&#231;o, mas o calor era muito. Estrada de novo, a sensa&#231;&#227;o era de reta final... parecia que o trecho da Castelo n&#227;o tinha fim. Ah como foi bom ver as placas indicando a dire&#231;&#227;o de Itu, nunca estivemos t&#227;o perto de casa... em meia-hora est&#225;vamos erguendo os bra&#231;os comemorando a vit&#243;ria e partindo a fita da linha de chegada, enfim, est&#225;vamos em casa.
&#160;
Ap&#243;s milhares de kms sobre uma motocicleta, longe de casa e de quem se gosta, passando fome, frio, calor, dor, desespero, ansiedade, sustos e medo, enfrentando desertos infind&#225;veis, montanhas de tirar o f&#244;lego, chuvas incessantes, ventos de mudar qualquer trajet&#243;ria, persegui&#231;&#227;o policial... enfim, est&#225;vamos de volta ao conforto de casa. Confesso que foi dif&#237;cil, mais dif&#237;cil do que imaginei, mas afinal de contas, quem falou que seria f&#225;cil? Durante essa viagem sofremos muito, mas nos divertimos na mesma propor&#231;&#227;o, rimos juntos, chorei sozinho, aprendemos bastante, conhecemos pessoas boas e ruins, conhecemos lugares que nem imagin&#225;vamos existirem, a natureza &#233; fascinante, fica dif&#237;cil explicar. Foi uma experi&#234;ncia e tanto, uma grande oportunidade de notar como nossa vida &#233; insignificante diante do que existe por a&#237;, e ainda assim, aprender a dar muito mais valor a cada segundo que a vivemos.
&#160;

Justo hoje!

Abelha desgra&#231;ada!</description>
			<link>http://thiagoserra.blog.terra.com.br/vigesimo_nono_e_ultimo_dia</link>
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			<title>Vig&#233;simo oitavo dia</title>
			<description>Destino de hoje, Tr&#234;s Lagoas. Cidade m&#233;dia e extremamente plana, ideal para ciclistas. Para variar a chuva nos pegou em cheio, do come&#231;o ao fim. Esse tipo de chuva me irrita profundamente, qualquer 150 km se torna uma eternidade de viagem. Tomamos o caminho errado logo de cara, escassez de placas, que droga! Est&#225;vamos at&#233; felizes pois a chuva estava ficando para tr&#225;s, mas logo descobrimos que o caminho n&#227;o era aquele, voltamos direto para o olho do furac&#227;o. Na estrada havia um caminh&#227;o pipa transportando &#243;leo vegetal que andava a milh&#227;o, n&#227;o consegu&#237;amos ultrapass&#225;-lo de forma alguma. Ele jogou muita &#225;gua suja em nossa cara. A pista &#233; de m&#227;o dupla, o que torna a viagem mais lenta por causa das ultrapassagens, o asfalto tem alguns remendos no caminho, o que acaba desestabilizando um pouco as motos, ainda mais com o ch&#227;o molhado. Quando a chuva dava uma tr&#233;gua, d&#225;vamos uma paradinha para esticar as pernas e tirar &#225;gua dos joelhos, mas logo peg&#225;vamos estrada de novo. Final de viagem &#233; fogo, a paci&#234;ncia encurta e n&#227;o se v&#234; a hora de chegar ao objetivo. Para mim a viagem come&#231;a logo quando a estou planejando, mas a aventura mesmo s&#243; se inicia quando saio do pa&#237;s, sendo assim, a viagem meio que acabou para mim quando entramos no Brasil, o resto agora era rotina. Chegamos cedo, apesar de o c&#233;u estar caindo sobre nossas cabe&#231;as, hotel razo&#225;vel e de pre&#231;o bom, o pessoal da portaria se interessou por nossa viagem, passamos o endere&#231;o do site para eles visitarem. Varal estendido, roupa lavada, banho tomado, s&#243; nos restava correr atr&#225;s de comida. Mandamos um lanch&#227;o de beira de rodovi&#225;ria para o peito, logo j&#225; n&#227;o havia mais espa&#231;o para nada, s&#243; para um refrigerante bem gelado antes de dormir. Nosso &#250;ltimo dia fora do estado de SP, &#243; d&#250;vida cruel, fazer ou n&#227;o os &#250;ltimos dois trechos em um s&#243; dia, para chegar mais cedo em casa. Tudo depende de como o dia amanhecer, se estiver chovendo, dormimos em Bauru, sen&#227;o, Elias Fausto, a&#237; vamos n&#243;s...

Foi exagero meu dizer que o c&#233;u estava desabando?</description>
			<link>http://thiagoserra.blog.terra.com.br/vigesimo_oitavo_dia</link>
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			<title>Vig&#233;simo s&#233;timo dia</title>
			<description>De Corumb&#225; a Campo Grande tomamos muita chuva... mas era uma chuva diferente das que tomamos na Argentina. L&#225; a &#225;gua era intensa mas n&#227;o chegava a molhar as roupas de baixo, aqui ficamos ensopa por toda a viagem. As m&#227;os enrugam de uma forma impressionante. Contabilizamos muitos animais mortos na pista, um tamandu&#225;, um macaco, um veado, um jacar&#233;, uma cobra... e assim por diante... judia&#231;&#227;o. Paramos para almo&#231;ar num posto de gasolina pr&#243;ximo a Aquidauana, fomos muito bem atendidos e comemos dois x-salada cada um. Passamos pr&#243;ximo a Bonito, pena n&#227;o termos mais tempo. Chegando a Campo Grande nos questionamos se dever&#237;amos dormir num hotel na beira da estrada para depois irmos embora sem complica&#231;&#245;es na manh&#227; seguinte, mas ficaria dif&#237;cil de encontrarmos um lugar para jantar, ainda mais com a chuva que n&#227;o cessava. Decidimos ficar no centro, pegamos um hotel razo&#225;vel e com excelente caf&#233; da manh&#227;. No quarto fizemos nosso varal improvisado, com os estirantes da moto, como de costume, lavamos as roupas e torcemos dentro das toalhas, isso deixa a roupa quase seca. Sa&#237;mos por volta das 21 horas em busca de uma boa refei&#231;&#227;o, decidimos comer pizza. Perguntei para o gar&#231;om se a massa era feita por eles, ele garantiu que sim, fiz quest&#227;o de verificar na cozinha. Mod&#233;stia a parte, sou um comedor de pizzas, e pizzas s&#227;o 8 ou 80, ou s&#227;o muito boas, ou s&#227;o muito ruins, e a desse restaurante era p&#233;ssima, mas fazer o que... compramos umas revistas relacionadas a motos, claro, e depois voltamos quebrados para o hotel. Noite tranquila e sem preocupa&#231;&#245;es. Dormimos at&#233; umas 8 horas e descemos para o caf&#233; da manh&#227;, sem pressa. Impressionante como a comida no Brasil &#233; abundante, depois de semanas tomando um caf&#233; da manh&#227; miser&#225;vel a base de p&#227;ozinho com manteiga e leite, agora nos esbaldamos com ovos mexidos, salsicha ao molho, p&#227;es, salgados, frutas, sucos... tudo a vontade... em Corumb&#225; foi igualzinho, acho que depois do caf&#233;, descemos umas 3 vezes para afanar um copo de suco gelado.

Corumb&#225; de manh&#227;, ao fundo, o Pantanal.

Rio Paraguai</description>
			<link>http://thiagoserra.blog.terra.com.br/vigesimo_setimo_dia</link>
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			<title>Vig&#233;simo Sexto dia</title>
			<description>130 kms de asfalto e mais 300 kms de estrada de terra para enfrentar, s&#243; que agora, ainda pior. A paisagem lembra muito a Chapada dos Guimaraes. Tomamos chuva no meio do caminho e por alguns lugares havia lama&#231;al. Era dificil controlar as motos, mesmo a 10 kms por hora. Eu estava atr&#225;s do Dario, perdi o controle da moto e acabei girando com ela uns 180 graus, fiquei curioso para saber se o Dario tinha visto, quando olhei para frente, ele ja estava no ch&#227;o, tombo tranquilo, mas engra&#231;ado. Com o ch&#227;o mais firme, abusamos um pouco na velocidade, meu alforge arrebentou com os impactos, remendos basicos para contornar a situa&#231;&#227;o. Paramos num povoado para encher a pan&#231;a de coca-cola, tinha uma mulher vendendo limonada na pra&#231;a, o suco ficava direto no isopor, n&#227;o resisti a falta de igiene, bebi logo dois, o Dario bebeu um. Tinha uns caras dormindo na pra&#231;a, as varegeiras sentavam na boca deles, acho que estavam borrachos. Retomamos o trajeto, n&#227;o chegavamos nunca ao destino, Brasil. Quando vimos a divisa, erguemos os bra&#231;os para comemorar, estavamos de volta para casa. Compramos gasolina de uns cambistas pois, apesar dos postos estarem fechados, havia filas de carro para o dia seguinte. M&#225; not&#237;cia, de domingo a aduaneira boliviana n&#227;o abre, bando de vagabundos! Passamos para o lado brasileiro e teremos que voltar no dia serguinte para carimbarmos os passaportes. Vamos passar a noite em Corumb&#225;, na divisa com a Bolivia, pegamos um bom hotel, com piscina, ca&#237; na agua imediatamente, o calor aqu&#237; &#233; intenso e o ar &#233; humido. A noite, saimos atr&#225;s de duas coisas que j&#225; n&#227;o vemos ha muito tempo: Carne boa e feij&#227;o. Acabamos comendo fel&#233; a parmegiana, muito bom. O cansa&#231;o &#233; demasiado, vamos tentar dormir bem pois amanh&#227; teremos 450 kms at&#233; chegar em Campo Grande.

Chapada I

Chapada II</description>
			<link>http://thiagoserra.blog.terra.com.br/vigesimo_sexto_dia</link>
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			<title>Vig&#233;simo Quinto dia</title>
			<description>Destino, San Jose de Chiquitos, 300 kms de terra at&#233; chegar no povoado. Viagem cansativa, mas prevista no cronograma. Estavam preparando a estrada para asfaltamento, mas isso demora anos. Calor sufocante e poeira at&#233; no c&#233;u da boca, o que salvava eram paradas estrategicas para tomar uma coca mais ou menos gelada nos pueblos pelo caminho. Paramos num sitio, na hora do almo&#231;o e reparamos que dentro de um rancho rustico havia umas 8 ou 9 pessoas vidradas na televis&#227;o abastecida por um gerador de eletricidade. Eles tinham alugado um filme do Jack Chan, estilo Bruce Lee, mas com uma pitada de humor, um filme velho, e estavam se divertindo com os golpes desferidos. Tomamos um refrigerante com eles e assistimos um pouco do f ilme e logo partimos, foi muito interessante. A estrada era t&#227;o ruim que o bagageiro da moto do Dario entortou, fizemos alguns ajustes na amarra&#231;&#227;o da bagagem para n&#227;o afetar a estrutura da moto. Chegando no povoado fomos abastecer, n&#227;o queriamos correr o mesmo risco de ontem, ficar sem combustivel. No posto os frentistas ficavam perguntando o pre&#231;o das motos, isso me deixou preocupado, dava a impress&#227;o de estarem interessados em roub&#225;-las, sabe como &#233;, Bolivia, drogas, roubos&#8230; mas o Walter, dono do hotel onde ficamos, disse que esse interesse &#233; pura curiosidade, pois as motos s&#227;o diferentes das que est&#227;o acostumadas a ver&#8230; que seja. Mortos de fome, fomos jantar. Advinha&#8230; frango. No restaurante tinham uns brasileiros que estavam temporariamente cortando arvores por l&#225;. Depois da janta ficamos discutindo historia da Am&#233;rica do Sul com um boliviano muito gente boa chamado Hugo, at&#233; altas horas. Foi interessante. Os bolivianos perderam terras para Chilenos, Peruanos e Brasileiros. A proposito, o Hugo ja esteve nas redondezas de Elias Fausto, conhece Itu, Cerquilho, Sorocaba, Piracicaba, etc&#8230;mundo peque&#241;o de novo. A cidade n&#227;o tinha asfalto, &#233; tipica no pa&#237;s. Tomamos chuva no final do dia. 

N&#227;o, n&#227;o deu tempo de nadar...</description>
			<link>http://thiagoserra.blog.terra.com.br/vigesimo_quinto_dia</link>
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