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Estavamos no coração do narcotrafico da Bolivia e não sabiamos. São por estas bandas do pais onde a famosa cocaina boliviana é plantada,o clima e a altitude são perfeitas para o plantio. Segundo Sebastian, um croata que está vivendo ha anos no pais e esta tomando conta da pousada onde ficamos, até Evo Morales, o atual presidente da Bolivia, ja trabalhou nessas plantações. Sebastian também nos alertou para não viajar a noite por aquí pois os povoados formados por decendentes de indios Quechua tem um ditado: “Quem anda durante a noite ou é louco ou ladrão”. Por isso são mortos e comidos por todos, não por que sejam canibais, mas para dividirem a culpa. Se é verdade eu não sei, mas é assustador. Pegamos estrada cedo com destino a Santa Cruz, enfrentamos calor intenso na floresta boliviana, mas meu nariz parou de sangrar pois aquí o ar é bastante humido. Por um momento achei que ficariamos sem combustivel pois nenhum posto pelo caminho tinha gasolina, por sorte, num deles, a frentista levou em consideração que eramos viajantes e que precisavamos do liquido valioso para seguir viagem, usou a reserva de emergencia do posto para nos fornecer, devemos isso a ela A cidade tem boa aparência, lembra Campinas, chegamos cedo e paramos para abastecer as motos, aproveitamos para tomar umas cervejas. Durante a degustação apareceu um boliviano bêbado se apresentando como advogado, nos perguntou o que andamos ouvindo sobre a Bolivia por aí… disse ainda que Evo é a ultima esperança deles e que estão caminhando para o socialismo, caso nada mude, dentro de 2 anos haverá guerra civil, serão os decendentes de espanhois contra os de indios.. Terminou a conversa dizendo que a lingua portuguesa é uma merda. Ficamos quietos pois queriamos nos livrar dele o quanto antes. Arranjamos um hotel com cheiro de naftalina e saimos para comer alguma coisa. Quando assustamos ja eram 10:30 da noite. Paramos para tomar um refrigenrante num bar e o cara disse para ficarmos espertos pois alí era perigoso dureante a noite. Fomos direto para o Hotel, chega de movimentos por hoje.
Estrada sem fim
Nada como tomar a decisao certa. Levantamos as 7 da manha, o Dario nao estava muito bem, gripe forte. Estava muito frio e nublado, ele me perguntou se pegariamos chuva pelo caminho, eu respondi que talvez, mas que em 100 kms teriamos o sol de volta. Mas eu sabia que antes de melhorar, iria piorar. Comecamos a viagem e pegamos chuva fria logo de cara, uns 15 minutos. Comecamos a subir a serra para chegar em Cochabamba, comecou a esfriar ainda mais. Depois de muitos “sobes e sobes”, comecou a nevar. As montanhas estavam forradas de gelo. Paramos para dar uma filmada e tirar umas fotos, mas fomos embora rapidinho pois as motos estavam com rendimento de mobilete, conseguiamos andar a 10 km/h no maximo, elas estavam ate congelando pois cada vez que elas morriam ficava dificil de ligar. Segundo Dario, hoje foi um dos dias mais dificeis da viagem. Se tivessemos continuado a viagem ontem, com certeza ela estaria comprometida, mesmo porque, ao olhar no relogio, lembramos que a Bolivia tem uma hora a mais que o Peru, a luz do dia nao seria suficiente para chegar ao destino. Nao gosto nem de pensar no que poderia acontecer…
Chegamos ao topo da serra, comecamos a descer e imediatamente a temperatura comecou a se elevar, a paisagem comecou a mudar. Chegamos a Cochabamba mais tranquilos e batemos um almoco como ha muito nao faziamos. Estrada de novo. Erramos o caminho e acabamos aumentando a kilometragem do dia, contudo, diminuimos a do dia seguinte.
Descemos mais ou menos 150 kms de serra, tomamos varias chuvas pelo caminho. Como ha males que vem para o bem, chegamos a um povoado chamado Villatunary, que por sinal é muito bom. O clima aquí é bem diferente, é como o Brasil no verao, chove muito e é humido. Ficamos num hotel com piscina para compensar o dia anterior.
É impressionante como o clima mudou tres vezes no mesmo dia. De manha, um frio intenso com chuva e cenario arido, no meio do dia, neve e frio intenso, no final do dia, calor, humidade e muito verde.
Passando aperto no frio I
Passando aperto no frio II
Passando aperto no frio III
Passando aperto no frio IV
Tava a maior friaca e este tiuzao estava tranquilo de chinelas de couro... sem comentarios...
Fazia tempo que nao viamos uma carne de vaca como essa.
Comendo com gosto I
Comendo com gosto II
Ao descer a serra a paisagem mudou bastante.
Apos um dia dificil, um hotel bom para relaxar.
Parece que nao tirou a camisa para nadar...
Saimos cedo de Puno com destino a Caracollo, este trecho ja enfrentamos na ida para o Peru, passamos novamente pelo lago Chichicaca e logo estavamos na aduana. Saimos facilmente do Peru, mas um sujeitinho queria cobrar a taxa de uso das rodovias peruanas, ja tinhamos pago isso na ida, entao, sem titubear, falei firmemente que nao pagariamos novamente a taxa pois nao iriamos mais usar as rodovias do pais, depois de falar umas tres vezes o rapaz aceitou. O lugar ali é muito confuso e baguncado muita gente querendo passar de um pais para o outro com animais, bugigangas, carrocas, etc… uma mulher queria passar com um porco numa bicicleta com carroceria na frente, o guarda nao queria deixar, entao ela comecou a gritar e bater no guarda e o porco ficava gritando…
Para entrar na Bolivia novamente, foi complicado, tinhamos que registrar as motos e depouis passar na imigracao. Para o registro dos veiculos tivemos que esperar o policial aduaneiro preencher nossa documentacao, perdemos umas duas horas com essa burocracia, o engracado e que na nossa primeira entrada na Bolivia o processo foi muito rapido. Feito isso, pegamos estrada novamente, logo estavamos de volta ao transito infernal de La Paz, mas passamos batido, fomos direto a Caracollos.
Mais uma vez fugimos o tempo todo da chuva. A foto a seguir representa o que quero dizer quando falo que fugimos da chuva:
É dificil ver a chuva do seu lado e nao ter para onde fugir...
Chegamos em Caracollo por volta das 16:30 e ficamos discutindo se valia a pena enfrentar mais 190 kms para dormir em Cochabamba, pois esta é uma cidade mais desenvolvida do que Caracollo. Chegamos a conclusao de que estavamos cansados e nao deveriamos continuar. Fomos atrás de um hotel, mas só havia hospedagens das mais horriveis, ficamos numa desse nivel. Cama torta, sem chuveiro, privada sem descarga, sem pia… dormimos sem tomar banho, mas jantamos duas vezes…
Saimos por volta das 8:30 da manha com destino a Puno, a estrada era pouco sinuosa e tinha poucas subidas e decidas, um alivio para quem nos ultimos dias so percorreu serras e canions. A carretera acompanhava na maioria do tempo a estrada de ferro que liga Cuzco a Puno, para onde se olhava era possivel ver montanhas majestosas no horizonte. Mais uma vez era satifasfatorio ver a alegria das criancas que nos encontravam pelo caminho, gostaria de entender o que elas semtem quando veem os viajantes de moto. É impresionante a quantidade de cachorros na beira da estrada, mais ou menos 1 cachorro por kim percorrido, alguns deitados no asfalto e outros no acostamento, vimos alguns atrpelados tambem. Fugimos da chuva o tempo todo, mas ela nao nos pegou, pelo menos hoje. Durante o caminho a temperatura caiu bastante, tive que me agasalhar. Almocamos numa cidade de nome complicado, que nao melembro agora, mas o almoco estava bom, experimentamos uma bebida fermentada tipica do peru, feita de milho, chamada Chicha (pronuncia-se Tchi-Tcha). Dormi durante uns 20 minutos na praca peincipal do vilarejo, parecia um mendigo, enquanto isso o Dario ficou jogando no celular, do lado de um tiozinho que delirava e resmungava.
Voltamos para a estrada satisfeitos com a bóia e depois de mais umas 2 horas chegamos a nosso destino do dia, Puno. Ficamos numa pousada boa, com tv a cabo, banho quente e cama macia, pela bagatela de 27 reais por pessoa, acho que esta bom de mais. Agora vamos sair correndo atrás de uma Amburguesa e uma Inca Cola, he, he… esta tem cor de urina, gosto de desinfetante e cheiro de chiclete, é muito bebida pela populacao, acho que mais por uma questao de ufanismo do que de bom gosto.
Cara serio
Cara com piolho
Se for ate o fim, bate na montanha
Rio intermitente
Acordamos as 5:30 da manha, tomamos café as 6, pegamos um taxi com destino a Ollataytambo onde iriamos pegar o trem para Aguas Calientes as 9 horas. Normalmente é mais simples chegar ate la, o problema e que nos tivemos que nos desdobrar para conseguir conhecer a cidade sagrada, nao havia mais passagens de trem para la, foram quatro horas de ida e mais quatro de volta.
Ao chegar em Aguas Calientes, tivemos que comprar passagens de onibus que nos levassem ate Machu Pichu, só é possivel chegar la dessa forma, nenhum carro ou moto pode se aproximar do vale Sagrado. Lembrei de levar a carteirinha de estudante, mesmo sendo nacional, o que me valeu meia-entrada, o Dario acabou pagando inteira. Mas ta valendo…
Machu Pichu é de deixar qualquer um de boca aberta, a armonia da cidade Inca com a natureza é impressionante. Como tinhamos pouco tempo para ficar por la, tivemos que fazer um tour meio rapido, nao conseguimos ver de perto todas as partes da cidade, mas o que vimos ja foi o suficiente. No topo da montanha mais alta havia umas construcoes, mas nao tivemos pique para ir ate la, seria muito corrido pois precisavamos voltar para pegar o onibus, trem, taxi de volta. A altitude dificulta muito o paseio pois nos falta ar o tempo todo. O Dario disse que tem dó dos Incas pois se eles tivessem sede na hora de dormir, teriam que descer a montanha para pegar um copo de agua no riacho. Ele queria dar cenoura com veneno para uma Chinchila que estava por la. Dizem que a cidade esta deslizando alguns centimetros por ano, pudera, ela fica no topo de uma montanha, a beira de precipicios. As autoridades vao reduzir o numero de turistas para diminuir a chance da cidade desmoronar da montanha. Os precos de acesso a cidade sao absurdos, entrada, passagens, alimentacao em torno, tudo para arrancar ate o sangue dos turistas, contudo, a organizacao e a qualidade dos servicos sao de primeiro mundo, nem parece estar no Peru.
Tiramos varias fotos e esperamos que seja o suficiente para se ter uma ideia do lugar.
Encontramos no Peru varias pessoas que, ao escutarem que eramos brasileiros, diziam que o brasil era o maior pais do mundo, nem entendo por que eles dizem isso, mas enfim…
Depois de muito viajar, voltamos para Cuzco e descobrimos uma pizzaria excelente e barata, comemos duas pizzas e fomos dormir para reservar energias para o dia seguinte, 400 km ate Puno, em direcao de casa.
Esta é tradicional
Dupla de um
Parecem curvas de nivel, acho que sao.
Impressionante o encaixe das pedras
Olha a arquibancada
Retornando para Cuzco
Entrada da cidade
Nem parece foto
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