Toca Da Montanha

Relacionado a viagens e expedições pelo mundo a fora, seja de motocicleta, de carro, de bicicleta ou a pé.

Toca Da Montanha

Relacionado a viagens e expedições pelo mundo a fora, seja de motocicleta, de carro, de bicicleta ou a pé.
<  Dezembro 2006  >
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Terra Blog

Arquivo de: Dezembro 2006

04.12.06

Vigésimo nono e ultimo dia...

O dia amanheceu muito nublado, mas a esperança é a última que morre. Acordamos as 5:15 da manhã, pois se fossemos direto para casa, teríamos 680 km de estrada para rodar. Café da manhã abundante, comemos mais do que o possível para agüentarmos o batente, arrumamos as bagagens, carregamos as motos e... surpresa, minha Falcon estava com o pneu traseiro furado... que droga! Logo hoje que acordamos bem cedo para ganharmos tempo... procura borracheiro daqui, procura borracheiro dali... estavam todos dormindo, tivemos que esperar até as 7:30. Antes tivéssemos dormido até as 7, mas tudo bem, faz parte. Eu não estava a fim de arrumar o pneu, queria sossego. Depois do problema resolvido, estrada... foi só passar a divisa dos estados que brilhou uma luz no fim do túnel, o sol finalmente apareceu. Enfim pudemos afrouxar as jaquetas, tirar as luvas e abrir o respiro do capacete. Eis que no meio da viagem senti uma ardência violenta no abdômen, droga, certeza que uma abelha me picou... o pior de tudo é que, geralmente, picadas de abelha me causam a morte. Sou extremamente alérgico a picada de abelha, mas tive sorte, foi uma só picada no tronco, o problema maior ocorre quando tomo picada nas extremidades. Posso sentir o veneno fluir no corpo, logo fico empipocado, como se tivesse levado centenas de picadas, a respiração fica difícil... é o chamado choque anafilático, da última vez tive que ficar 4 horas no hospital tomando soro na veia. Que ironia, logo eu que sou inquieto e gosto de andar por aí... é como um aficionado por leitura ser alérgico à poeira dos livros... Ao meio-dia estávamos em Bauru, minha idéia era seguir até a rodovia Castelo Branco para encontrar um Graal para comer, mas por sorte tinha um em Bauru. Foi um rodízio de carne e tanto, até tentei dar uma cochilada depois do almoço, mas o calor era muito. Estrada de novo, a sensação era de reta final... parecia que o trecho da Castelo não tinha fim. Ah como foi bom ver as placas indicando a direção de Itu, nunca estivemos tão perto de casa... em meia-hora estávamos erguendo os braços comemorando a vitória e partindo a fita da linha de chegada, enfim, estávamos em casa.

 

Após milhares de kms sobre uma motocicleta, longe de casa e de quem se gosta, passando fome, frio, calor, dor, desespero, ansiedade, sustos e medo, enfrentando desertos infindáveis, montanhas de tirar o fôlego, chuvas incessantes, ventos de mudar qualquer trajetória, perseguição policial... enfim, estávamos de volta ao conforto de casa. Confesso que foi difícil, mais difícil do que imaginei, mas afinal de contas, quem falou que seria fácil? Durante essa viagem sofremos muito, mas nos divertimos na mesma proporção, rimos juntos, chorei sozinho, aprendemos bastante, conhecemos pessoas boas e ruins, conhecemos lugares que nem imaginávamos existirem, a natureza é fascinante, fica difícil explicar. Foi uma experiência e tanto, uma grande oportunidade de notar como nossa vida é insignificante diante do que existe por aí, e ainda assim, aprender a dar muito mais valor a cada segundo que a vivemos.

 

Justo hoje!

Abelha desgraçada!

  • criado por  tcserra criado por tcserra
  • Postado em 22:31:10

Vigésimo oitavo dia

Destino de hoje, Três Lagoas. Cidade média e extremamente plana, ideal para ciclistas. Para variar a chuva nos pegou em cheio, do começo ao fim. Esse tipo de chuva me irrita profundamente, qualquer 150 km se torna uma eternidade de viagem. Tomamos o caminho errado logo de cara, escassez de placas, que droga! Estávamos até felizes pois a chuva estava ficando para trás, mas logo descobrimos que o caminho não era aquele, voltamos direto para o olho do furacão. Na estrada havia um caminhão pipa transportando óleo vegetal que andava a milhão, não conseguíamos ultrapassá-lo de forma alguma. Ele jogou muita água suja em nossa cara. A pista é de mão dupla, o que torna a viagem mais lenta por causa das ultrapassagens, o asfalto tem alguns remendos no caminho, o que acaba desestabilizando um pouco as motos, ainda mais com o chão molhado. Quando a chuva dava uma trégua, dávamos uma paradinha para esticar as pernas e tirar água dos joelhos, mas logo pegávamos estrada de novo. Final de viagem é fogo, a paciência encurta e não se vê a hora de chegar ao objetivo. Para mim a viagem começa logo quando a estou planejando, mas a aventura mesmo só se inicia quando saio do país, sendo assim, a viagem meio que acabou para mim quando entramos no Brasil, o resto agora era rotina. Chegamos cedo, apesar de o céu estar caindo sobre nossas cabeças, hotel razoável e de preço bom, o pessoal da portaria se interessou por nossa viagem, passamos o endereço do site para eles visitarem. Varal estendido, roupa lavada, banho tomado, só nos restava correr atrás de comida. Mandamos um lanchão de beira de rodoviária para o peito, logo já não havia mais espaço para nada, só para um refrigerante bem gelado antes de dormir. Nosso último dia fora do estado de SP, ó dúvida cruel, fazer ou não os últimos dois trechos em um só dia, para chegar mais cedo em casa. Tudo depende de como o dia amanhecer, se estiver chovendo, dormimos em Bauru, senão, Elias Fausto, aí vamos nós...

Foi exagero meu dizer que o céu estava desabando?

  • criado por  tcserra criado por tcserra
  • Postado em 22:06:05

Vigésimo sétimo dia

De Corumbá a Campo Grande tomamos muita chuva... mas era uma chuva diferente das que tomamos na Argentina. Lá a água era intensa mas não chegava a molhar as roupas de baixo, aqui ficamos ensopa por toda a viagem. As mãos enrugam de uma forma impressionante. Contabilizamos muitos animais mortos na pista, um tamanduá, um macaco, um veado, um jacaré, uma cobra... e assim por diante... judiação. Paramos para almoçar num posto de gasolina próximo a Aquidauana, fomos muito bem atendidos e comemos dois x-salada cada um. Passamos próximo a Bonito, pena não termos mais tempo. Chegando a Campo Grande nos questionamos se deveríamos dormir num hotel na beira da estrada para depois irmos embora sem complicações na manhã seguinte, mas ficaria difícil de encontrarmos um lugar para jantar, ainda mais com a chuva que não cessava. Decidimos ficar no centro, pegamos um hotel razoável e com excelente café da manhã. No quarto fizemos nosso varal improvisado, com os estirantes da moto, como de costume, lavamos as roupas e torcemos dentro das toalhas, isso deixa a roupa quase seca. Saímos por volta das 21 horas em busca de uma boa refeição, decidimos comer pizza. Perguntei para o garçom se a massa era feita por eles, ele garantiu que sim, fiz questão de verificar na cozinha. Modéstia a parte, sou um comedor de pizzas, e pizzas são 8 ou 80, ou são muito boas, ou são muito ruins, e a desse restaurante era péssima, mas fazer o que... compramos umas revistas relacionadas a motos, claro, e depois voltamos quebrados para o hotel. Noite tranquila e sem preocupações. Dormimos até umas 8 horas e descemos para o café da manhã, sem pressa. Impressionante como a comida no Brasil é abundante, depois de semanas tomando um café da manhã miserável a base de pãozinho com manteiga e leite, agora nos esbaldamos com ovos mexidos, salsicha ao molho, pães, salgados, frutas, sucos... tudo a vontade... em Corumbá foi igualzinho, acho que depois do café, descemos umas 3 vezes para afanar um copo de suco gelado.

Corumbá de manhã, ao fundo, o Pantanal.

Rio Paraguai

  • criado por  tcserra criado por tcserra
  • Postado em 21:33:21