Toca Da Montanha

Relacionado a viagens e expedições pelo mundo a fora, seja de motocicleta, de carro, de bicicleta ou a pé.

Toca Da Montanha

Relacionado a viagens e expedições pelo mundo a fora, seja de motocicleta, de carro, de bicicleta ou a pé.
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Terra Blog

Arquivo de: Novembro 2006

26.11.06

Vigésimo Sexto dia

130 kms de asfalto e mais 300 kms de estrada de terra para enfrentar, só que agora, ainda pior. A paisagem lembra muito a Chapada dos Guimaraes. Tomamos chuva no meio do caminho e por alguns lugares havia lamaçal. Era dificil controlar as motos, mesmo a 10 kms por hora. Eu estava atrás do Dario, perdi o controle da moto e acabei girando com ela uns 180 graus, fiquei curioso para saber se o Dario tinha visto, quando olhei para frente, ele ja estava no chão, tombo tranquilo, mas engraçado. Com o chão mais firme, abusamos um pouco na velocidade, meu alforge arrebentou com os impactos, remendos basicos para contornar a situação. Paramos num povoado para encher a pança de coca-cola, tinha uma mulher vendendo limonada na praça, o suco ficava direto no isopor, não resisti a falta de igiene, bebi logo dois, o Dario bebeu um. Tinha uns caras dormindo na praça, as varegeiras sentavam na boca deles, acho que estavam borrachos. Retomamos o trajeto, não chegavamos nunca ao destino, Brasil. Quando vimos a divisa, erguemos os braços para comemorar, estavamos de volta para casa. Compramos gasolina de uns cambistas pois, apesar dos postos estarem fechados, havia filas de carro para o dia seguinte. Má notícia, de domingo a aduaneira boliviana não abre, bando de vagabundos! Passamos para o lado brasileiro e teremos que voltar no dia serguinte para carimbarmos os passaportes. Vamos passar a noite em Corumbá, na divisa com a Bolivia, pegamos um bom hotel, com piscina, caí na agua imediatamente, o calor aquí é intenso e o ar é humido. A noite, saimos atrás de duas coisas que já não vemos ha muito tempo: Carne boa e feijão. Acabamos comendo felé a parmegiana, muito bom. O cansaço é demasiado, vamos tentar dormir bem pois amanhã teremos 450 kms até chegar em Campo Grande.

Chapada I

Chapada II

  • criado por  tcserra criado por tcserra
  • Postado em 23:08:35

Vigésimo Quinto dia

Destino, San Jose de Chiquitos, 300 kms de terra até chegar no povoado. Viagem cansativa, mas prevista no cronograma. Estavam preparando a estrada para asfaltamento, mas isso demora anos. Calor sufocante e poeira até no céu da boca, o que salvava eram paradas estrategicas para tomar uma coca mais ou menos gelada nos pueblos pelo caminho. Paramos num sitio, na hora do almoço e reparamos que dentro de um rancho rustico havia umas 8 ou 9 pessoas vidradas na televisão abastecida por um gerador de eletricidade. Eles tinham alugado um filme do Jack Chan, estilo Bruce Lee, mas com uma pitada de humor, um filme velho, e estavam se divertindo com os golpes desferidos. Tomamos um refrigerante com eles e assistimos um pouco do f ilme e logo partimos, foi muito interessante. A estrada era tão ruim que o bagageiro da moto do Dario entortou, fizemos alguns ajustes na amarração da bagagem para não afetar a estrutura da moto. Chegando no povoado fomos abastecer, não queriamos correr o mesmo risco de ontem, ficar sem combustivel. No posto os frentistas ficavam perguntando o preço das motos, isso me deixou preocupado, dava a impressão de estarem interessados em roubá-las, sabe como é, Bolivia, drogas, roubos… mas o Walter, dono do hotel onde ficamos, disse que esse interesse é pura curiosidade, pois as motos são diferentes das que estão acostumadas a ver… que seja.
Mortos de fome, fomos jantar. Advinha… frango. No restaurante tinham uns brasileiros que estavam temporariamente cortando arvores por lá. Depois da janta ficamos discutindo historia da América do Sul com um boliviano muito gente boa chamado Hugo, até altas horas. Foi interessante. Os bolivianos perderam terras para Chilenos, Peruanos e Brasileiros. A proposito, o Hugo ja esteve nas redondezas de Elias Fausto, conhece Itu, Cerquilho, Sorocaba, Piracicaba, etc…mundo pequeño de novo. A cidade não tinha asfalto, é tipica no país. Tomamos chuva no final do dia.

Não, não deu tempo de nadar...

  • criado por  tcserra criado por tcserra
  • Postado em 23:06:58

Vigésimo Quarto dia

Estavamos no coração do narcotrafico da Bolivia e não sabiamos. São por estas bandas do pais onde a famosa cocaina boliviana é plantada,o clima e a altitude são perfeitas para o plantio. Segundo Sebastian, um croata que está vivendo ha anos no pais e esta tomando conta da pousada onde ficamos, até Evo Morales, o atual presidente da Bolivia, ja trabalhou nessas plantações. Sebastian também nos alertou para não viajar a noite por aquí pois os povoados formados por decendentes de indios Quechua tem um ditado: “Quem anda durante a noite ou é louco ou ladrão”. Por isso são mortos e comidos por todos, não por que sejam canibais, mas para dividirem a culpa. Se é verdade eu não sei, mas é assustador. Pegamos estrada cedo com destino a Santa Cruz, enfrentamos calor intenso na floresta boliviana, mas meu nariz parou de sangrar pois aquí o ar é bastante humido. Por um momento achei que ficariamos sem combustivel pois nenhum posto pelo caminho tinha gasolina, por sorte, num deles, a frentista levou em consideração que eramos viajantes e que precisavamos do liquido valioso para seguir viagem, usou a reserva de emergencia do posto para nos fornecer, devemos isso a ela A cidade tem boa aparência, lembra Campinas, chegamos cedo e paramos para abastecer as motos, aproveitamos para tomar umas cervejas. Durante a degustação apareceu um boliviano bêbado se apresentando como advogado, nos perguntou o que andamos ouvindo sobre a Bolivia por aí… disse ainda que Evo é a ultima esperança deles e que estão caminhando para o socialismo, caso nada mude, dentro de 2 anos haverá guerra civil, serão os decendentes de espanhois contra os de indios.. Terminou a conversa dizendo que a lingua portuguesa é uma merda. Ficamos quietos pois queriamos nos livrar dele o quanto antes. Arranjamos um hotel com cheiro de naftalina e saimos para comer alguma coisa. Quando assustamos ja eram 10:30 da noite. Paramos para tomar um refrigenrante num bar e o cara disse para ficarmos espertos pois alí era perigoso dureante a noite. Fomos direto para o Hotel, chega de movimentos por hoje.

Estrada sem fim

  • criado por  tcserra criado por tcserra
  • Postado em 22:56:18

23.11.06

Vigésimo Terceiro dia

Nada como tomar a decisao certa. Levantamos as 7 da manha, o Dario nao estava muito bem, gripe forte. Estava muito frio e nublado, ele me perguntou se pegariamos chuva pelo caminho, eu respondi que talvez, mas que em 100 kms teriamos o sol de volta. Mas eu sabia que antes de melhorar, iria piorar. Comecamos a viagem e pegamos chuva fria logo de cara, uns 15 minutos. Comecamos a subir a serra para chegar em Cochabamba, comecou a esfriar ainda mais. Depois de muitos “sobes e sobes”, comecou a nevar. As montanhas estavam forradas de gelo. Paramos para dar uma filmada e tirar umas fotos, mas fomos embora rapidinho pois as motos estavam com rendimento de mobilete, conseguiamos andar a 10 km/h no maximo, elas estavam ate congelando pois cada vez que elas morriam ficava dificil de ligar. Segundo Dario, hoje foi um dos dias mais dificeis da viagem. Se tivessemos continuado a viagem ontem, com certeza ela estaria comprometida, mesmo porque, ao olhar no relogio, lembramos que a Bolivia tem uma hora a mais que o Peru, a luz do dia nao seria suficiente para chegar ao destino. Nao gosto nem de pensar no que poderia acontecer…
Chegamos ao topo da serra, comecamos a descer e imediatamente a temperatura comecou a se elevar, a paisagem comecou a mudar. Chegamos a Cochabamba mais tranquilos e batemos um almoco como ha muito nao faziamos. Estrada de novo. Erramos o caminho e acabamos aumentando a kilometragem do dia, contudo, diminuimos a do dia seguinte.
Descemos mais ou menos 150 kms de serra, tomamos varias chuvas pelo caminho. Como ha males que vem para o bem, chegamos a um povoado chamado Villatunary, que por sinal é muito bom. O clima aquí é bem diferente, é como o Brasil no verao, chove muito e é humido. Ficamos num hotel com piscina para compensar o dia anterior.
É impressionante como o clima mudou tres vezes no mesmo dia. De manha, um frio intenso com chuva e cenario arido, no meio do dia, neve e frio intenso, no final do dia, calor, humidade e muito verde.

Passando aperto no frio I

Passando aperto no frio II

Passando aperto no frio III

Passando aperto no frio IV

Tava a maior friaca e este tiuzao estava tranquilo de chinelas de couro... sem comentarios...

Fazia tempo que nao viamos uma carne de vaca como essa.

Comendo com gosto I

Comendo com gosto II

 

Ao descer a serra a paisagem mudou bastante.

Apos um dia dificil, um hotel bom para relaxar.

Parece que nao tirou a camisa para nadar...

  • criado por  tcserra criado por tcserra
  • Postado em 20:37:14

Vigésimo Segundo dia

Saimos cedo de Puno com destino a Caracollo, este trecho ja enfrentamos na ida para o Peru, passamos novamente pelo lago Chichicaca e logo estavamos na aduana. Saimos facilmente do Peru, mas um sujeitinho queria cobrar a taxa de uso das rodovias peruanas, ja tinhamos pago isso na ida, entao, sem titubear, falei firmemente que nao pagariamos novamente a taxa pois nao iriamos mais usar as rodovias do pais, depois de falar umas tres vezes o rapaz aceitou. O lugar ali é muito confuso e baguncado muita gente querendo passar de um pais para o outro com animais, bugigangas, carrocas, etc… uma mulher queria passar com um porco numa bicicleta com carroceria na frente, o guarda nao queria deixar, entao ela comecou a gritar e bater no guarda e o porco ficava gritando…
Para entrar na Bolivia novamente, foi complicado, tinhamos que registrar as motos e depouis passar na imigracao. Para o registro dos veiculos tivemos que esperar o policial aduaneiro preencher nossa documentacao, perdemos umas duas horas com essa burocracia, o engracado e que na nossa primeira entrada na Bolivia o processo foi muito rapido. Feito isso, pegamos estrada novamente, logo estavamos de volta ao transito infernal de La Paz, mas passamos batido, fomos direto a Caracollos.
Mais uma vez fugimos o tempo todo da chuva. A foto a seguir representa o que quero dizer quando falo que fugimos da chuva:

É dificil ver a chuva do seu lado e nao ter para onde fugir...

Chegamos em Caracollo por volta das 16:30 e ficamos discutindo se valia a pena enfrentar mais 190 kms para dormir em Cochabamba, pois esta é uma cidade mais desenvolvida do que Caracollo. Chegamos a conclusao de que estavamos cansados e nao deveriamos continuar. Fomos atrás de um hotel, mas só havia hospedagens das mais horriveis, ficamos numa desse nivel. Cama torta, sem chuveiro, privada sem descarga, sem pia… dormimos sem tomar banho, mas jantamos duas vezes…


  • criado por  tcserra criado por tcserra
  • Postado em 20:33:32