Toca Da Montanha

Relacionado a viagens e expedições pelo mundo a fora, seja de motocicleta, de carro, de bicicleta ou a pé.

4

de
dezembro

Vigésimo nono e ultimo dia…

O dia amanheceu muito nublado, mas a esperança é a última que morre. Acordamos as 5:15 da manhã, pois se fossemos direto para casa, teríamos 680 km de estrada para rodar. Café da manhã abundante, comemos mais do que o possível para agüentarmos o batente, arrumamos as bagagens, carregamos as motos e… surpresa, minha Falcon estava com o pneu traseiro furado… que droga! Logo hoje que acordamos bem cedo para ganharmos tempo… procura borracheiro daqui, procura borracheiro dali… estavam todos dormindo, tivemos que esperar até as 7:30. Antes tivéssemos dormido até as 7, mas tudo bem, faz parte. Eu não estava a fim de arrumar o pneu, queria sossego. Depois do problema resolvido, estrada… foi só passar a divisa dos estados que brilhou uma luz no fim do túnel, o sol finalmente apareceu. Enfim pudemos afrouxar as jaquetas, tirar as luvas e abrir o respiro do capacete. Eis que no meio da viagem senti uma ardência violenta no abdômen, droga, certeza que uma abelha me picou… o pior de tudo é que, geralmente, picadas de abelha me causam a morte. Sou extremamente alérgico a picada de abelha, mas tive sorte, foi uma só picada no tronco, o problema maior ocorre quando tomo picada nas extremidades. Posso sentir o veneno fluir no corpo, logo fico empipocado, como se tivesse levado centenas de picadas, a respiração fica difícil… é o chamado choque anafilático, da última vez tive que ficar 4 horas no hospital tomando soro na veia. Que ironia, logo eu que sou inquieto e gosto de andar por aí… é como um aficionado por leitura ser alérgico à poeira dos livros… Ao meio-dia estávamos em Bauru, minha idéia era seguir até a rodovia Castelo Branco para encontrar um Graal para comer, mas por sorte tinha um em Bauru. Foi um rodízio de carne e tanto, até tentei dar uma cochilada depois do almoço, mas o calor era muito. Estrada de novo, a sensação era de reta final… parecia que o trecho da Castelo não tinha fim. Ah como foi bom ver as placas indicando a direção de Itu, nunca estivemos tão perto de casa… em meia-hora estávamos erguendo os braços comemorando a vitória e partindo a fita da linha de chegada, enfim, estávamos em casa.

 

Após milhares de kms sobre uma motocicleta, longe de casa e de quem se gosta, passando fome, frio, calor, dor, desespero, ansiedade, sustos e medo, enfrentando desertos infindáveis, montanhas de tirar o fôlego, chuvas incessantes, ventos de mudar qualquer trajetória, perseguição policial… enfim, estávamos de volta ao conforto de casa. Confesso que foi difícil, mais difícil do que imaginei, mas afinal de contas, quem falou que seria fácil? Durante essa viagem sofremos muito, mas nos divertimos na mesma proporção, rimos juntos, chorei sozinho, aprendemos bastante, conhecemos pessoas boas e ruins, conhecemos lugares que nem imaginávamos existirem, a natureza é fascinante, fica difícil explicar. Foi uma experiência e tanto, uma grande oportunidade de notar como nossa vida é insignificante diante do que existe por aí, e ainda assim, aprender a dar muito mais valor a cada segundo que a vivemos.

 

Justo hoje!

Abelha desgraçada!

4

de
dezembro

Vigésimo oitavo dia

Destino de hoje, Três Lagoas. Cidade média e extremamente plana, ideal para ciclistas. Para variar a chuva nos pegou em cheio, do começo ao fim. Esse tipo de chuva me irrita profundamente, qualquer 150 km se torna uma eternidade de viagem. Tomamos o caminho errado logo de cara, escassez de placas, que droga! Estávamos até felizes pois a chuva estava ficando para trás, mas logo descobrimos que o caminho não era aquele, voltamos direto para o olho do furacão. Na estrada havia um caminhão pipa transportando óleo vegetal que andava a milhão, não conseguíamos ultrapassá-lo de forma alguma. Ele jogou muita água suja em nossa cara. A pista é de mão dupla, o que torna a viagem mais lenta por causa das ultrapassagens, o asfalto tem alguns remendos no caminho, o que acaba desestabilizando um pouco as motos, ainda mais com o chão molhado. Quando a chuva dava uma trégua, dávamos uma paradinha para esticar as pernas e tirar água dos joelhos, mas logo pegávamos estrada de novo. Final de viagem é fogo, a paciência encurta e não se vê a hora de chegar ao objetivo. Para mim a viagem começa logo quando a estou planejando, mas a aventura mesmo só se inicia quando saio do país, sendo assim, a viagem meio que acabou para mim quando entramos no Brasil, o resto agora era rotina. Chegamos cedo, apesar de o céu estar caindo sobre nossas cabeças, hotel razoável e de preço bom, o pessoal da portaria se interessou por nossa viagem, passamos o endereço do site para eles visitarem. Varal estendido, roupa lavada, banho tomado, só nos restava correr atrás de comida. Mandamos um lanchão de beira de rodoviária para o peito, logo já não havia mais espaço para nada, só para um refrigerante bem gelado antes de dormir. Nosso último dia fora do estado de SP, ó dúvida cruel, fazer ou não os últimos dois trechos em um só dia, para chegar mais cedo em casa. Tudo depende de como o dia amanhecer, se estiver chovendo, dormimos em Bauru, senão, Elias Fausto, aí vamos nós…

Foi exagero meu dizer que o céu estava desabando?

4

de
dezembro

Vigésimo sétimo dia

De Corumbá a Campo Grande tomamos muita chuva… mas era uma chuva diferente das que tomamos na Argentina. Lá a água era intensa mas não chegava a molhar as roupas de baixo, aqui ficamos ensopa por toda a viagem. As mãos enrugam de uma forma impressionante. Contabilizamos muitos animais mortos na pista, um tamanduá, um macaco, um veado, um jacaré, uma cobra… e assim por diante… judiação. Paramos para almoçar num posto de gasolina próximo a Aquidauana, fomos muito bem atendidos e comemos dois x-salada cada um. Passamos próximo a Bonito, pena não termos mais tempo. Chegando a Campo Grande nos questionamos se deveríamos dormir num hotel na beira da estrada para depois irmos embora sem complicações na manhã seguinte, mas ficaria difícil de encontrarmos um lugar para jantar, ainda mais com a chuva que não cessava. Decidimos ficar no centro, pegamos um hotel razoável e com excelente café da manhã. No quarto fizemos nosso varal improvisado, com os estirantes da moto, como de costume, lavamos as roupas e torcemos dentro das toalhas, isso deixa a roupa quase seca. Saímos por volta das 21 horas em busca de uma boa refeição, decidimos comer pizza. Perguntei para o garçom se a massa era feita por eles, ele garantiu que sim, fiz questão de verificar na cozinha. Modéstia a parte, sou um comedor de pizzas, e pizzas são 8 ou 80, ou são muito boas, ou são muito ruins, e a desse restaurante era péssima, mas fazer o que… compramos umas revistas relacionadas a motos, claro, e depois voltamos quebrados para o hotel. Noite tranquila e sem preocupações. Dormimos até umas 8 horas e descemos para o café da manhã, sem pressa. Impressionante como a comida no Brasil é abundante, depois de semanas tomando um café da manhã miserável a base de pãozinho com manteiga e leite, agora nos esbaldamos com ovos mexidos, salsicha ao molho, pães, salgados, frutas, sucos… tudo a vontade… em Corumbá foi igualzinho, acho que depois do café, descemos umas 3 vezes para afanar um copo de suco gelado.

Corumbá de manhã, ao fundo, o Pantanal.

Rio Paraguai

26

de
novembro

Vigésimo Sexto dia

130 kms de asfalto e mais 300 kms de estrada de terra para enfrentar, só que agora, ainda pior. A paisagem lembra muito a Chapada dos Guimaraes. Tomamos chuva no meio do caminho e por alguns lugares havia lamaçal. Era dificil controlar as motos, mesmo a 10 kms por hora. Eu estava atrás do Dario, perdi o controle da moto e acabei girando com ela uns 180 graus, fiquei curioso para saber se o Dario tinha visto, quando olhei para frente, ele ja estava no chão, tombo tranquilo, mas engraçado. Com o chão mais firme, abusamos um pouco na velocidade, meu alforge arrebentou com os impactos, remendos basicos para contornar a situação. Paramos num povoado para encher a pança de coca-cola, tinha uma mulher vendendo limonada na praça, o suco ficava direto no isopor, não resisti a falta de igiene, bebi logo dois, o Dario bebeu um. Tinha uns caras dormindo na praça, as varegeiras sentavam na boca deles, acho que estavam borrachos. Retomamos o trajeto, não chegavamos nunca ao destino, Brasil. Quando vimos a divisa, erguemos os braços para comemorar, estavamos de volta para casa. Compramos gasolina de uns cambistas pois, apesar dos postos estarem fechados, havia filas de carro para o dia seguinte. Má notícia, de domingo a aduaneira boliviana não abre, bando de vagabundos! Passamos para o lado brasileiro e teremos que voltar no dia serguinte para carimbarmos os passaportes. Vamos passar a noite em Corumbá, na divisa com a Bolivia, pegamos um bom hotel, com piscina, caí na agua imediatamente, o calor aquí é intenso e o ar é humido. A noite, saimos atrás de duas coisas que já não vemos ha muito tempo: Carne boa e feijão. Acabamos comendo felé a parmegiana, muito bom. O cansaço é demasiado, vamos tentar dormir bem pois amanhã teremos 450 kms até chegar em Campo Grande.

Chapada I

Chapada II

26

de
novembro

Vigésimo Quinto dia

Destino, San Jose de Chiquitos, 300 kms de terra até chegar no povoado. Viagem cansativa, mas prevista no cronograma. Estavam preparando a estrada para asfaltamento, mas isso demora anos. Calor sufocante e poeira até no céu da boca, o que salvava eram paradas estrategicas para tomar uma coca mais ou menos gelada nos pueblos pelo caminho. Paramos num sitio, na hora do almoço e reparamos que dentro de um rancho rustico havia umas 8 ou 9 pessoas vidradas na televisão abastecida por um gerador de eletricidade. Eles tinham alugado um filme do Jack Chan, estilo Bruce Lee, mas com uma pitada de humor, um filme velho, e estavam se divertindo com os golpes desferidos. Tomamos um refrigerante com eles e assistimos um pouco do f ilme e logo partimos, foi muito interessante. A estrada era tão ruim que o bagageiro da moto do Dario entortou, fizemos alguns ajustes na amarração da bagagem para não afetar a estrutura da moto. Chegando no povoado fomos abastecer, não queriamos correr o mesmo risco de ontem, ficar sem combustivel. No posto os frentistas ficavam perguntando o preço das motos, isso me deixou preocupado, dava a impressão de estarem interessados em roubá-las, sabe como é, Bolivia, drogas, roubos… mas o Walter, dono do hotel onde ficamos, disse que esse interesse é pura curiosidade, pois as motos são diferentes das que estão acostumadas a ver… que seja.
Mortos de fome, fomos jantar. Advinha… frango. No restaurante tinham uns brasileiros que estavam temporariamente cortando arvores por lá. Depois da janta ficamos discutindo historia da América do Sul com um boliviano muito gente boa chamado Hugo, até altas horas. Foi interessante. Os bolivianos perderam terras para Chilenos, Peruanos e Brasileiros. A proposito, o Hugo ja esteve nas redondezas de Elias Fausto, conhece Itu, Cerquilho, Sorocaba, Piracicaba, etc…mundo pequeño de novo. A cidade não tinha asfalto, é tipica no país. Tomamos chuva no final do dia.

Não, não deu tempo de nadar…

26

de
novembro

Vigésimo Quarto dia

Estavamos no coração do narcotrafico da Bolivia e não sabiamos. São por estas bandas do pais onde a famosa cocaina boliviana é plantada,o clima e a altitude são perfeitas para o plantio. Segundo Sebastian, um croata que está vivendo ha anos no pais e esta tomando conta da pousada onde ficamos, até Evo Morales, o atual presidente da Bolivia, ja trabalhou nessas plantações. Sebastian também nos alertou para não viajar a noite por aquí pois os povoados formados por decendentes de indios Quechua tem um ditado: “Quem anda durante a noite ou é louco ou ladrão”. Por isso são mortos e comidos por todos, não por que sejam canibais, mas para dividirem a culpa. Se é verdade eu não sei, mas é assustador. Pegamos estrada cedo com destino a Santa Cruz, enfrentamos calor intenso na floresta boliviana, mas meu nariz parou de sangrar pois aquí o ar é bastante humido. Por um momento achei que ficariamos sem combustivel pois nenhum posto pelo caminho tinha gasolina, por sorte, num deles, a frentista levou em consideração que eramos viajantes e que precisavamos do liquido valioso para seguir viagem, usou a reserva de emergencia do posto para nos fornecer, devemos isso a ela A cidade tem boa aparência, lembra Campinas, chegamos cedo e paramos para abastecer as motos, aproveitamos para tomar umas cervejas. Durante a degustação apareceu um boliviano bêbado se apresentando como advogado, nos perguntou o que andamos ouvindo sobre a Bolivia por aí… disse ainda que Evo é a ultima esperança deles e que estão caminhando para o socialismo, caso nada mude, dentro de 2 anos haverá guerra civil, serão os decendentes de espanhois contra os de indios.. Terminou a conversa dizendo que a lingua portuguesa é uma merda. Ficamos quietos pois queriamos nos livrar dele o quanto antes. Arranjamos um hotel com cheiro de naftalina e saimos para comer alguma coisa. Quando assustamos ja eram 10:30 da noite. Paramos para tomar um refrigenrante num bar e o cara disse para ficarmos espertos pois alí era perigoso dureante a noite. Fomos direto para o Hotel, chega de movimentos por hoje.

Estrada sem fim

23

de
novembro

Vigésimo Terceiro dia

Nada como tomar a decisao certa. Levantamos as 7 da manha, o Dario nao estava muito bem, gripe forte. Estava muito frio e nublado, ele me perguntou se pegariamos chuva pelo caminho, eu respondi que talvez, mas que em 100 kms teriamos o sol de volta. Mas eu sabia que antes de melhorar, iria piorar. Comecamos a viagem e pegamos chuva fria logo de cara, uns 15 minutos. Comecamos a subir a serra para chegar em Cochabamba, comecou a esfriar ainda mais. Depois de muitos “sobes e sobes”, comecou a nevar. As montanhas estavam forradas de gelo. Paramos para dar uma filmada e tirar umas fotos, mas fomos embora rapidinho pois as motos estavam com rendimento de mobilete, conseguiamos andar a 10 km/h no maximo, elas estavam ate congelando pois cada vez que elas morriam ficava dificil de ligar. Segundo Dario, hoje foi um dos dias mais dificeis da viagem. Se tivessemos continuado a viagem ontem, com certeza ela estaria comprometida, mesmo porque, ao olhar no relogio, lembramos que a Bolivia tem uma hora a mais que o Peru, a luz do dia nao seria suficiente para chegar ao destino. Nao gosto nem de pensar no que poderia acontecer…
Chegamos ao topo da serra, comecamos a descer e imediatamente a temperatura comecou a se elevar, a paisagem comecou a mudar. Chegamos a Cochabamba mais tranquilos e batemos um almoco como ha muito nao faziamos. Estrada de novo. Erramos o caminho e acabamos aumentando a kilometragem do dia, contudo, diminuimos a do dia seguinte.
Descemos mais ou menos 150 kms de serra, tomamos varias chuvas pelo caminho. Como ha males que vem para o bem, chegamos a um povoado chamado Villatunary, que por sinal é muito bom. O clima aquí é bem diferente, é como o Brasil no verao, chove muito e é humido. Ficamos num hotel com piscina para compensar o dia anterior.
É impressionante como o clima mudou tres vezes no mesmo dia. De manha, um frio intenso com chuva e cenario arido, no meio do dia, neve e frio intenso, no final do dia, calor, humidade e muito verde.

Passando aperto no frio I

Passando aperto no frio II

Passando aperto no frio III

Passando aperto no frio IV

Tava a maior friaca e este tiuzao estava tranquilo de chinelas de couro… sem comentarios…

Fazia tempo que nao viamos uma carne de vaca como essa.

Comendo com gosto I

Comendo com gosto II

 

Ao descer a serra a paisagem mudou bastante.

Apos um dia dificil, um hotel bom para relaxar.

Parece que nao tirou a camisa para nadar…

23

de
novembro

Vigésimo Segundo dia

Saimos cedo de Puno com destino a Caracollo, este trecho ja enfrentamos na ida para o Peru, passamos novamente pelo lago Chichicaca e logo estavamos na aduana. Saimos facilmente do Peru, mas um sujeitinho queria cobrar a taxa de uso das rodovias peruanas, ja tinhamos pago isso na ida, entao, sem titubear, falei firmemente que nao pagariamos novamente a taxa pois nao iriamos mais usar as rodovias do pais, depois de falar umas tres vezes o rapaz aceitou. O lugar ali é muito confuso e baguncado muita gente querendo passar de um pais para o outro com animais, bugigangas, carrocas, etc… uma mulher queria passar com um porco numa bicicleta com carroceria na frente, o guarda nao queria deixar, entao ela comecou a gritar e bater no guarda e o porco ficava gritando…
Para entrar na Bolivia novamente, foi complicado, tinhamos que registrar as motos e depouis passar na imigracao. Para o registro dos veiculos tivemos que esperar o policial aduaneiro preencher nossa documentacao, perdemos umas duas horas com essa burocracia, o engracado e que na nossa primeira entrada na Bolivia o processo foi muito rapido. Feito isso, pegamos estrada novamente, logo estavamos de volta ao transito infernal de La Paz, mas passamos batido, fomos direto a Caracollos.
Mais uma vez fugimos o tempo todo da chuva. A foto a seguir representa o que quero dizer quando falo que fugimos da chuva:

É dificil ver a chuva do seu lado e nao ter para onde fugir…

Chegamos em Caracollo por volta das 16:30 e ficamos discutindo se valia a pena enfrentar mais 190 kms para dormir em Cochabamba, pois esta é uma cidade mais desenvolvida do que Caracollo. Chegamos a conclusao de que estavamos cansados e nao deveriamos continuar. Fomos atrás de um hotel, mas só havia hospedagens das mais horriveis, ficamos numa desse nivel. Cama torta, sem chuveiro, privada sem descarga, sem pia… dormimos sem tomar banho, mas jantamos duas vezes…

21

de
novembro

Vigésimo Primeiro dia

Saimos por volta das 8:30 da manha com destino a Puno, a estrada era pouco sinuosa e tinha poucas subidas e decidas, um alivio para quem nos ultimos dias so percorreu serras e canions. A carretera acompanhava na maioria do tempo a estrada de ferro que liga Cuzco a Puno, para onde se olhava era possivel ver montanhas majestosas no horizonte. Mais uma vez era satifasfatorio ver a alegria das criancas que nos encontravam pelo caminho, gostaria de entender o que elas semtem quando veem os viajantes de moto. É impresionante a quantidade de cachorros na beira da estrada, mais ou menos 1 cachorro por kim percorrido, alguns deitados no asfalto e outros no acostamento, vimos alguns atrpelados tambem. Fugimos da chuva o tempo todo, mas ela nao nos pegou, pelo menos hoje. Durante o caminho a temperatura caiu bastante, tive que me agasalhar. Almocamos numa cidade de nome complicado, que nao melembro agora, mas o almoco estava bom, experimentamos uma bebida fermentada tipica do peru, feita de milho, chamada Chicha (pronuncia-se Tchi-Tcha). Dormi durante uns 20 minutos na praca peincipal do vilarejo, parecia um mendigo, enquanto isso o Dario ficou jogando no celular, do lado de um tiozinho que delirava e resmungava.
Voltamos para a estrada satisfeitos com a bóia e depois de mais umas 2 horas chegamos a nosso destino do dia, Puno. Ficamos numa pousada boa, com tv a cabo, banho quente e cama macia, pela bagatela de 27 reais por pessoa, acho que esta bom de mais. Agora vamos sair correndo atrás de uma Amburguesa e uma Inca Cola, he, he… esta tem cor de urina, gosto de desinfetante e cheiro de chiclete, é muito bebida pela populacao, acho que mais por uma questao de ufanismo do que de bom gosto.

Cara serio

Cara com piolho

Se for ate o fim, bate na montanha

Rio intermitente

21

de
novembro

Vigésimo dia

Acordamos as 5:30 da manha, tomamos café as 6, pegamos um taxi com destino a Ollataytambo onde iriamos pegar o trem para Aguas Calientes as 9 horas. Normalmente é mais simples chegar ate la, o problema e que nos tivemos que nos desdobrar para conseguir conhecer a cidade sagrada, nao havia mais passagens de trem para la, foram quatro horas de ida e mais quatro de volta.
Ao chegar em Aguas Calientes, tivemos que comprar passagens de onibus que nos levassem ate Machu Pichu, só é possivel chegar la dessa forma, nenhum carro ou moto pode se aproximar do vale Sagrado. Lembrei de levar a carteirinha de estudante, mesmo sendo nacional, o que me valeu meia-entrada, o Dario acabou pagando inteira. Mas ta valendo…
Machu Pichu é de deixar qualquer um de boca aberta, a armonia da cidade Inca com a natureza é impressionante. Como tinhamos pouco tempo para ficar por la, tivemos que fazer um tour meio rapido, nao conseguimos ver de perto todas as partes da cidade, mas o que vimos ja foi o suficiente. No topo da montanha mais alta havia umas construcoes, mas nao tivemos pique para ir ate la, seria muito corrido pois precisavamos voltar para pegar o onibus, trem, taxi de volta. A altitude dificulta muito o paseio pois nos falta ar o tempo todo. O Dario disse que tem dó dos Incas pois se eles tivessem sede na hora de dormir, teriam que descer a montanha para pegar um copo de agua no riacho. Ele queria dar cenoura com veneno para uma Chinchila que estava por la. Dizem que a cidade esta deslizando alguns centimetros por ano, pudera, ela fica no topo de uma montanha, a beira de precipicios. As autoridades vao reduzir o numero de turistas para diminuir a chance da cidade desmoronar da montanha. Os precos de acesso a cidade sao absurdos, entrada, passagens, alimentacao em torno, tudo para arrancar ate o sangue dos turistas, contudo, a organizacao e a qualidade dos servicos sao de primeiro mundo, nem parece estar no Peru.
Tiramos varias fotos e esperamos que seja o suficiente para se ter uma ideia do lugar.
Encontramos no Peru varias pessoas que, ao escutarem que eramos brasileiros, diziam que o brasil era o maior pais do mundo, nem entendo por que eles dizem isso, mas enfim…
Depois de muito viajar, voltamos para Cuzco e descobrimos uma pizzaria excelente e barata, comemos duas pizzas e fomos dormir para reservar energias para o dia seguinte, 400 km ate Puno, em direcao de casa.

Esta é tradicional

Dupla de um

Parecem curvas de nivel, acho que sao.

Impressionante o encaixe das pedras

Olha a arquibancada

Retornando para Cuzco

Entrada da cidade

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